O Congresso inaugural do Zámba Heritage concluiu com 14 governos participantes comprometendo-se a restaurar florestas e colaborar na mobilização de recursos para colocar 30 milhões de hectares sob gestão florestal responsável.
Convocado pelo FSC em parceria com o Governo do Quénia, o Congresso reuniu mais de 200 participantes representando mais de 25 nacionalidades, de 10 a 12 de fevereiro em Nairobi, Quénia – incluindo ministros e altos funcionários florestais de 14 países africanos, instituições regionais, representantes de Povos Indígenas, sociedade civil, investigadores e o setor privado.
A Declaração de Nairobi: um compromisso moral e político
A Declaração de Nairobi sobre o Património Zámba foi adotada pelos ministros africanos e autoridades nacionais na conclusão do Congresso, formalizando um compromisso para mobilizar aproximadamente 400 milhões de dólares para a gestão florestal responsável, restauro ecológico e industrialização florestal de valor acrescentado em toda a África.
Para além disso, o FSC irá disponibilizar mais de 11 milhões de dólares dos seus próprios fundos para apoiar as organizações que estiverem dispostas a obter a certificação.
Parcerias estratégicas
Num momento decisivo da sessão de encerramento, o Dr. Peter O. Alele, Diretor Regional do FSC África, anunciou parcerias formais que levam o Zámba do conceito à implementação. Foram confirmados memorandos de entendimento (MoUs) com:
- Agência Nacional de Parques do Gabão: Uma iniciativa piloto de certificação de parques nacionais;
- Universidade Omar Bongo, Gabão: Capacitação e colaboração académica;
- The Nature Conservancy: Desenvolvimento de projetos de gestão florestal responsável na Bacia do Congo;
- Libéria: Comunicou formalmente o seu apoio e intenção de endossar o Plano de Ação do Património Zámba após revisão interna.
O MoU entre o FSC África e a The Nature Conservancy promoverá a gestão florestal responsável e a conservação florestal com foco no clima em toda a África. Válida até 2030, esta parceria proporcionará um quadro para as duas organizações ampliarem os esforços que protegem as florestas, reduzem as emissões, restauram paisagens degradadas e apoiam meios de subsistência sustentáveis.
Os esforços iniciais concentrar-se-ão na Bacia do Congo, particularmente nos Camarões, Gabão e República do Congo, onde ambas as organizações estão a trabalhar com governos, gestores florestais e comunidades para reforçar a supervisão dos recursos florestais e a transição para modelos de gestão que proporcionem benefícios mensuráveis em termos climáticos, de biodiversidade e socioeconómicos.
O FSC África e a Agência Nacional de Parques do Gabão formalizarão o seu acordo de parceria em março de 2026, permitindo a certificação de 13 parques nacionais que cobrem 3 milhões de hectares.
Do compromisso à ação
Enquadrando o Congresso como uma mudança da política para a implementação, a Dra. Deborah Mlongo Barasa, Secretária de Estado do Quénia para o Ambiente, Alterações Climáticas e Florestas, abriu com a ambição nacional do país: “O Quénia não está à espera. No âmbito do nosso programa nacional de plantação de 15 mil milhões de árvores, estabelecemos metas ambiciosas e mensuráveis que honram os nossos compromissos globais, regionais e nacionais em matéria de sustentabilidade ambiental. Apoiamos a ambição com políticas: quadros claros para aumentar a cobertura florestal e arbórea, em linha com a Iniciativa AFR100 sobre o restauro da paisagem florestal.”
O Quénia designou quatro blocos florestais em torno da cordilheira Aberdare – aproximadamente 65.000 hectares – para testar a certificação, e o Quénia agora lidera a África Oriental em certificação da cadeia de custódia.
“Reafirmo o apoio inabalável do Quénia à Iniciativa Zámba Heritage”, acrescentou.
Ecoando este compromisso, a Dra. Rosalie Matondo, Ministra da Economia Florestal da República do Congo, destacou o alinhamento entre a política nacional e a iniciativa mais ampla: “A República do Congo está comprometida com o FSC porque acreditamos que ele nos ajuda a alcançar os três pilares do desenvolvimento: crescimento económico, conservação da biodiversidade e proteção dos direitos das comunidades indígenas e populações locais. O Congo acolhe com entusiasmo esta iniciativa, que está alinhada com a Agenda 2063 da União Africana. Apoiamos totalmente esta iniciativa pan-africana.”
A Dra. Douty Chibamba, Secretária Permanente do Ministério da Economia Verde e do Ambiente da Zâmbia, sublinhou a certificação como uma prioridade nacional: “Estamos aqui para explorar oportunidades para o FSC certificar as nossas florestas, o que reforçará a integridade dos nossos créditos de carbono.”
Indo além dos compromissos nacionais, a Drª. Subhra Bhattacharjee, Diretora-Geral do FSC, enfatizou os desafios globais da iniciativa: “Juntos, criamos um legado em que as florestas não apenas sobrevivem, mas prosperam — porque proteger as florestas de África é um investimento que o mundo não se pode dar ao luxo de adiar.”
Para mais informações, leia abaixo os resumos diários:
- Dia 1: O Congresso do Património de Zámba abre em Nairobi com um compromisso continental para transformar o futuro das florestas africanas: Leia mais
- Dia 2: Do comércio ao tesouro — estruturando a economia florestal africana: Leia mais
- Dia 3: Compromissos selados: pessoas, sistemas e um mandato continental: Leia mais
