Em resposta a esta situação, o FSC lançou o Fundo de Conservação – uma iniciativa destinada a promover a conservação, a resiliência climática e a gestão florestal equitativa, através da certificação de parques naturais e áreas de conservação de elevado valor e da abertura de mercados de serviços de ecossistemas.
O Fundo prestará assistência técnica e apoiará o acesso à certificação de Gestão Florestal, incluindo vias para florestas geridas de baixa intensidade. Isto será complementado pela Verificação de Impacto dos serviços de ecossistemas do FSC, que mede benefícios como o armazenamento de carbono e a proteção da biodiversidade, ajudando os gestores de conservação a demonstrar resultados ambientais mensuráveis e a aceder a financiamento para serviços de ecossistemas.
O fundo tem como objetivo certificar pelo menos 25 milhões de hectares em dois anos, com foco em regiões de alto valor de conservação na África, América Latina e Ásia Central. O FSC já destinou 1,7 milhões de dólares para o trabalho em andamento no projeto em 2026 e está à procura de parceiros adicionais para ajudar a expandir o seu impacto.
O FSC agradece à Fundação Slalom como seu principal patrocinador, através da subvenção climática para 2025, e aos nossos apoiantes: Building and Wood Workers' International, Fundação Indígena do FSC, Olam Agri, Rainforest Alliance, The Nature Conservancy e Veracel.
“A Slalom orgulha-se de ser um dos doadores fundadores do Fundo de Conservação do FSC. Enquanto organização, dependemos de ecossistemas saudáveis para o ar que respiramos, a água que bebemos e os produtos que utilizamos todos os dias — e partilhamos a responsabilidade de proteger estes sistemas naturais para as gerações futuras”, afirmou Meagan Breidert, Senior Director of Sustainability & Impact da Slalom, em nome da Fundação Slalom.
“A The Nature Conservancy acredita que florestas saudáveis são essenciais para um planeta saudável e que iniciativas como esta contribuem para garantir que as soluções sejam benéficas tanto para as pessoas como para a natureza. Apoiamos a iniciativa do Fundo de Conservação do FSC e acreditamos que terá impactos positivos nas florestas e nas comunidades”, afirmou Clare Shakya, Global Managing Director, Climate, da The Nature Conservancy.
Impactos da certificação
Muitas florestas certificadas pelo FSC apresentam mais benefícios ambientais e maior abundância de espécies do que as florestas não certificadas, e esperamos observar benefícios semelhantes à medida que o fundo expande o trabalho do FSC:
Abundância de espécies
• Uma análise a nível nacional em 91 países (2008–2019) associa áreas de gestão florestal certificadas pelo FSC a um menor número de espécies ameaçadas.
• No Gabão e na República do Congo, as florestas certificadas pelo FSC abrigam 2,7 vezes mais mamíferos de grande porte, como gorilas e elefantes da floresta, do que as áreas não certificadas.
• Na Amazónia peruana, as concessões madeireiras certificadas pelo FSC apresentam maior riqueza de espécies, como anfíbios, insetos e macacos, do que as concessões não certificadas pelo FSC, com densidades de animais comparáveis às áreas protegidas.
Florestas restauradas
• As florestas regeneradas com certificação FSC no México, abrigam espécies ameaçadas, como o raro gavião bicolor, o macaco-aranha em perigo de extinção e o abutre-rei, que é protegido.
• No sudeste dos EUA, mais de 7.000 ha de uma floresta com certificação FSC foram restaurados para se tornarem florestas nativas.
• A Associação de Produtores de Madeira do Uganda está a seguir as normas do FSC para restaurar florestas degradadas na Floresta Central de West Bugwe, sem atividades de exploração florestal nas áreas de conservação.
Estes impactos verificam-se em florestas certificadas pelo FSC – onde os gestores de certificação devem destinar pelo menos 10% da floresta à conservação. A certificação em florestas geridas exclusivamente para fins de conservação tem o potencial de gerar benefícios ainda maiores em termos de biodiversidade e serviços de ecossistemas.
“Acreditamos que o Fundo de Conservação tem o potencial de desbloquear o tipo de financiamento e incentivos de longo prazo de que os gestores florestais precisam para ampliar o seu impacto. Isso significa mais florestas protegidas, mais ecossistemas restaurados, mais biodiversidade conservada e meios de subsistência mais sólidos para as comunidades no centro deste trabalho”, afirmou José Román Carrera, Forestry Director da Rainforest Alliance.
“O Fundo de Conservação do FSC surge num momento crucial para colmatar a lacuna entre a gestão certificada e os resultados de conservação verificados. Se queremos que as florestas prosperem, temos de evoluir da certificação de uma boa gestão para a viabilização de um impacto mensurável à escala de paisagens inteiras. A próxima fronteira para o FSC não diz respeito a regras, mas sim a resultados — onde a gestão responsável se torna um investimento partilhado entre aqueles que protegem as florestas e aqueles que delas beneficiam”, afirmou Vincent Istace, Head of Corporate Responsibility & Sustainability da Olam Agri.
Projetos-piloto
O Mecanismo de Conservação foi lançado com seis projetos-piloto em 2026-2027, abrangendo aproximadamente 25 milhões de hectares de parques nacionais e áreas de conservação de elevado valor.
Peru: O Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (SERNANP) está a avançar com a certificação FSC para os principais parques nacionais, abrangendo 7,4 milhões de hectares de ecossistemas amazónicos.
Gabão: A Agência Nacional de Parques Nacionais planeia certificar todos os 13 parques nacionais, quase 3 milhões de hectares de paisagens predominantemente florestais.
Etiópia: A Oromia Forest & Wildlife Enterprise da Etiópia está a trabalhar no sentido de certificar toda a sua área de concessão de quase 4 milhões de hectares de florestas e áreas protegidas.
Tanzânia: Estão em curso esforços para certificar áreas florestais geridas pelas autoridades nacionais de conservação.
Brasil: Estão a ser exploradas oportunidades com as partes interessadas para certificar mais de 8 milhões de hectares de florestas tropicais no Estado do Amazonas.
Quirguistão: Estão em curso esforços para certificar todas as áreas protegidas especiais do país.
“A Building and Wood Workers International (BWI) apoia veementemente o lançamento do Fundo de Conservação. Enquanto única organização sindical internacional membro do FSC, a BWI está empenhada em cooperar com os parceiros e partes interessadas do Fundo para garantir que as dimensões sociais, em particular os direitos dos trabalhadores e dos sindicatos, sejam integradas no quadro de cooperação do Fundo, de modo a conferir maior credibilidade à concretização e ao cumprimento dos seus objetivos e mandato”, afirmou Apolinar Tolentino, Representante Regional da Building and Wood Workers International para a Ásia-Pacífico.
“Vivemos num mundo cada vez mais orientado para ações que destroem a natureza e esta iniciativa do FSC é como uma lufada de ar fresco. Financiar a conservação da natureza não é apenas uma atitude ousada; é uma necessidade para garantir a sobrevivência de todos”, afirmou Minnie Degawan, Managing Director da Fundação Indígena do FSC.
Parceiro para o impacto
Este Fundo de Conservação foi concebido como um fundo colaborativo, que mobiliza financiamento a longo prazo e gera impactos comprovados. Ao estabelecerem parcerias com o fundo, as organizações podem desempenhar um papel vital na preservação de ecossistemas críticos, ao mesmo tempo, que demonstram liderança em matéria de sustentabilidade e ação climática.
O FSC comprometeu-se previamente a contribuir com 1,7 milhões de dólares do orçamento piloto de 2,7 milhões de dólares e está à procura de financiamento externo para apoiar gestores de conservação através de subsídios de certificação e assistência técnica. É urgentemente necessário financiamento estratégico para colmatar a lacuna e integrar mais áreas de conservação na gestão florestal certificada e responsável.
Se estiver interessado em tornar-se um parceiro, contacte ecosystemservices@fsc.org
