O FSC e a ASI divulgaram as conclusões preliminares de dois grandes ciclos de verificação de transações (TV) focados em espécies de alto valor: o Pterocarpus africano e a Teca. As investigações, iniciadas entre 2024 e 2025, visam garantir a integridade das cadeias de abastecimento e detetar falsas alegações de certificação.
1. Pterocarpus Africano: Riscos na ligação África-Europa
A análise de dados de 807 titulares de certificados em 53 países revelou que a maioria do Pterocarpus certificado provém do Gabão, República do Congo e Zâmbia, tendo a Europa como principal mercado de consumo (mobiliário e construção).
Principais irregularidades detetadas:
- Discrepâncias de volume: Inconsistências entre o que os vendedores declaram vender e o que os compradores declaram adquirir.
- Vendas fora de âmbito: Empresas a comercializar Pterocarpus sem terem a espécie incluída no âmbito do seu certificado ou comprando a organizações não certificadas.
- Falta de rastreabilidade: Dificuldade em identificar a floresta de origem em certos casos, com riscos concentrados em grandes comerciantes europeus com subsidiárias em África.
2. Corredor da Teca: Complexidade e "Vendas Ocultas"
O estudo sobre a Teca (Tectona grandis) mapeou fluxos em 17 países, abrangendo 661 titulares de certificados. A teca FSC 100% provém essencialmente da América Latina (Costa Rica, México, Nicarágua e Panamá) e da Tailândia, abastecendo mercados na Ásia, Europa e EUA.
Principais riscos identificados:
- "Vendas ocultas": Casos em que fornecedores declaram "zero vendas FSC" para evitar auditorias anuais, enquanto os seus clientes registam compras certificadas a esses mesmos fornecedores.
- Entrada de material não certificado: As discrepâncias de volume sugerem que madeira não certificada pode estar a ser introduzida em cadeias certificadas.
- Cenário na Índia e Itália: Na Índia, apenas 11 de 143 titulares de certificado declararam transações ativas; em Itália, a maioria da madeira de teca é importada do México e Ásia, sendo o destino final maioritariamente consumidores não certificados.
Próximos passos e novas regras de transparência
Para ambos os casos, a ASI avançará para uma segunda fase de investigação, focando-se em clusters de alto risco e aplicando medidas corretivas.
Devido ao risco das declarações de «zero vendas FSC», entrou em vigor, a 1 de janeiro de 2026, uma nova Advice Note. Adicionalmente, o portal de Pesquisa Pública do FSC permite agora visualizar os nomes dos titulares que declararam não ter realizado vendas FSC na última auditoria. Esta ferramenta visa apoiar as organizações nos seus processos de diligência devida (due diligence) e aumentar a transparência no mercado.
A ASI continuará a analisar os dados das transações e a investigar através do envolvimento com os titulares de certificado relevantes para garantir a conformidade com os requisitos do FSC. Os clusters da cadeia de abastecimento de alto risco e os titulares de certificados que demonstrem comportamentos potencialmente arriscados identificados nas conclusões preliminares serão sujeitos a uma investigação mais aprofundada na segunda fase do ciclo de Verificação de Transações.
