Com base em dois estudos diferentes, a investigação mostrou que as florestas tropicais exploradas comercialmente podem ajudar a preservar a vida selvagem, quando são geridas de acordo com as normas do FSC.
A WWF também criou um novo site que oferece aos visitantes uma visita virtual a uma floresta certificada pelo FSC, para descobrir algumas das espécies registadas pelos investigadores. Até agora, as evidências científicas do impacto do FSC na preservação da vida selvagem são limitadas. Para abordar esta lacuna de investigação, a WWF apoiou estudos científicos independentes que analisavam os resultados das operações de gestão florestal certificadas pelo FSC para a fauna local.
Os dois estudos foram realizados na região de Madre de Dios, na região amazónica peruana.
Um primeiro estudo para filmar espécies
Para o primeiro estudo de 2014, investigadores do Zoo de San Diego- apoiados pela WWF - usaram armadilhas fotográficas para avaliar populações de mamíferos, como onças, antas e pumas, em cinco áreas de exploração certificadas pelo FSC, geridas por organizações independentes.
As armadilhas fotográficas mostraram que as áreas certificadas pelo FSC têm populações saudáveis de mamíferos de grande e médio porte, pois estes foram os grupos de animais mais representados entre as 27 espécies registadas para um período de quatro meses.
Os resultados também indicaram que alguns mamíferos usavam estradas para facilitar a circulação. Isto é observado para predadores como onças e pumas, pois tendem a percorrer longas distâncias para caçar.
Análise acústica de áreas florestais menores
O segundo estudo, em 2017, teve uma abordagem diferente: a WWF - em colaboração com a Universidade de Porto Rico - organizou uma análise acústica ao longo de quatro meses para se concentrar nos impactos da gestão florestal sustentável a uma menor escala. A equipa de investigação usou telemóveis para gravar os sons de centenas de espécies de pássaros, insectos, anfíbios e macacos.
A pesquisa ocorreu em duas áreas florestais certificadas pelo FSC e uma área não certificada. As áreas certificadas pareciam ter uma riqueza maior de espécies acusticamente activas do que a área não certificada, uma vez que maior quantidade e variedade de sons foram registados nas áreas FSC.
Resumo geral do relatório e site
Os estudos demonstraram que a exploração florestal de baixa intensidade, certificada pelo FSC, poderia ajudar a preservar espécies selvagens em florestas tropicais. Estas áreas podem até complementar áreas protegidas para fornecer habitat extensivo para uma ampla gama de espécies da Amazónia. No entanto, a WWF concluiu que são necessários mais estudos científicos e monitorização da biodiversidade a longo prazo para mostrar o impacto da certificação FSC, pois os resultados no Peru podem não se aplicar necessariamente noutros locais.
Estudos adicionais devem, portanto, incluir diferentes ecossistemas e regiões, bem como diferentes estratégias de gestão florestal para ver onde e como a certificação FSC pode ser mais eficaz na preservação da biodiversidade.
A WWF pediu ao FSC para recolher e relatar dados sobre biodiversidade sistematicamente - através de informações de auditoria - e estabelecer colaborações estratégicas com instituições de investigação para ajudar a facilitar a recolha de dados. O FSC encontra-se a ajudar a recolher e relatar dados de forma consistente para facilitar o entendimento dos resultados socio-económicos e ambientais da certificação. Também se encontra disponível para desenvolver colaborações estratégicas com diferentes organizações de investigação e actualmente encontra-se a preparar uma agenda de investigação estratégica.
Para saber mais sobre as espécies observadas pelas equipas de investigação e ver como são as florestas certificadas pelo FSC na Amazónia peruana, visite http://peruamazon.panda.org/ - o site criado pela WWF para ilustrar os resultados destes estudos. Inclui uma explicação da investigação e as diferentes espécies que podem ser encontradas, ilustradas através de vídeos.
Também pode ler o relatório completo da WWF sobre os resultados dos estudos no site da WWF.
