kim"Quando estive em Praga, em Outubro, preparando-me para reunir com várias partes interessadas para debater as florestas públicas na Europa, esperava um envolvimento positivo e construtivo. Cerca de metade das florestas da Europa são propriedade pública. Como tal, os proprietários de florestas públicas são um grupo de partes interessadas muito importante para o FSC.
A conferência foi organizada pelo FSC para explorar como a plataforma e o sistema de certificação podem agregar valor às florestas públicas da Europa.
As sessões propostas tiveram o seu foco em três áreas de valor que o FSC poderá proporcionar aos proprietários de florestas públicas: apoiar a competitividade económica, possibilitar valor ambiental e criar confiança na sociedade.
Aguardei esta oportunidade para ouvir (e, espero, abordar algumas) as preocupações desta comunidade profissional de uma forma relevante. Não fiquei desapontado. O evento contou com a participação de vários decisores, proprietários e gestores de florestas públicas da Europa. Outras partes interessadas incluíram profissionais de cadeias de valor relevantes da indústria florestal, ONGs ambientais e algumas partes interessadas no valor social das florestas. Isso manteve as discussões equilibradas, interessantes e animadas, exactamente o que esperamos dos eventos do FSC.

Competitividade Económica
Entre os oradores, Jacobo Aboal, Vice-Director de Recursos Florestais do Governo Regional da Galiza, em Espanha, destacou como se está a usar o FSC para melhorar a competitividade económica das florestas regionais da Galiza, sob a perspectiva dos custos, tornando a aplicação da regulamentação mais leve para aqueles proprietários e gestores que já implementam a certificação FSC. Também explicou que a descarbonização - ou seja, a redução das emissões de gases de efeito estufa - levou a uma crescente procura por madeira da sua região, principalmente se proveniente de uma floresta certificada pelo FSC.
Neste cenário, o FSC pode desempenhar um papel fundamental, educando os pequenos proprietários de florestas a gerir as suas áreas de maneira sustentável, ao mesmo tempo que fortalece os serviços ecossistémicos das mesmas, a fim de conservar o abastecimento de madeira. Estas práticas, por sua vez, podem gerar benefícios económicos e ambientais para as comunidades locais, além da venda de madeira.
A apresentação de Jacobo foi complementada por Ulf Johannsson da Ikea, e pela Indústria de Madeira Rafal Gruszczynski da Polónia, ambos representando a cadeia de valor da indústria de mobiliário.
Ambos os oradores destacaram a crescente procura por madeira com certificação FSC nos seus sectores. Explicaram que a certificação FSC ajudou a atender às expectativas daqueles que fazem parte da cadeia de valor de mobiliário, incluindo os consumidores finais, que esperam que a madeira seja adquirida com responsabilidade. Neste sentido, a certificação FSC fornece uma forte “marca de confiança” para os sectores relevantes, para poder reivindicar legitimamente que os produtos são adquiridos com responsabilidade.

Valor Ambiental
O tema do FSC como uma "marca de confiança" continuou na sessão seguinte, em que Alison von Kettler e Stefano Pelizzon, presidente da Associação Florestal das Terras Altas de Itália, enfatizaram como os investidores privados reconheciam o FSC como um sistema de certificação confiável ao poder fazer-se alegações sobre os serviços do ecossistema.
A Associação, que faz parte de um sistema de grupo certificado pelo FSC, foi a primeira no mundo a receber uma verificação de serviços de ecossistema do FSC, cumprindo todos os cinco componentes ambientais que compõem estes serviços. Stefano destacou como o seu exemplo conseguiu usar a certificação FSC como uma maneira de atrair financiamento para projectos de biodiversidade na sua área, algo que ele espera fazer atrair mais turismo.
Marcus Lindner, do Instituto Florestal Europeu, e Thomas Krejzar, Director de Departamento do Ministério da Agricultura da República Checa, abordaram os impactos das alterações climáticas nas florestas e as possíveis estratégias de mitigação, incluindo a certificação voluntária.
Embora a certificação do FSC tenha o potencial de desempenhar este papel, os oradores enfatizaram que o FSC precisa fazer mais para se tornar acessível a agências florestais públicas que gerem áreas de floresta em toda a Europa.
Outro desafio colocado ao FSC foi a necessidade de calibrar melhor os requisitos da norma florestal do FSC em toda a Europa, para garantir que resultados mais semelhantes entre si sejam alcançados nas florestas.

Confiança Social
A sessão final abordou o tema central que parecia repetir-se ao longo do dia: “Como podem os silvicultores criar confiança na sociedade acerca do importante trabalho que realizam?” Neste sentido, o FSC pode desempenhar um papel fundamental no apoio aos gestores públicos da floresta para desenvolver credibilidade na comunicação com as partes interessadas da sociedade com as quais se envolve.
Christine Farcy, da Universidade de Louvain, observou que é fundamental que os proprietários florestais ajudem a mudar a sua narrativa como únicos gestores florestais, desempenhando um papel activo na gestão do relacionamento que a sociedade tem com as florestas. Para que isto aconteça com sucesso, é essencial uma comunicação positiva. Portanto, sistemas como o FSC podem ser usados ​​como uma ferramenta para comunicar como a silvicultura podeser responsável e que nem sempre é “mau” cortar florestas.
Alexander Dountchev mostrou como ele, enquanto gestor florestal da Empresa Estatal do Sudoeste da Bulgária, usou a certificação FSC para melhorar seu relacionamento com as partes interessadas e a sociedade civil, combatendo a exploração ilegal de madeira e propondo uma melhor gestão florestal na Bulgária. Acrescentou que o FSC poderia agregar mais valor às florestas públicas, educando os gestores florestais e explicando o papel que o FSC pode desempenhar na solução de problemas florestais locais.
Finalmente, Henrik von Stedingk, do FSC Suécia, descreveu como eles educaram proactivamente as partes interessadas que tinham uma percepção negativa sobre as práticas florestais no passado. Embora este seja um trabalho em curso, a sua actividade ajudou a tornar as expectativas mais claras sobre o que é e o que não é possível através do sistema FSC e o que esperar das florestas certificadas pelo FSC.

No passado, o FSC talvez não estivesse suficientemente acessível para gestores públicos de florestas. No entanto, no futuro, estou confiante de que a actual mudança de cultura no FSC trará mudanças positivas.
Estamos a melhorar continuamente o nosso envolvimento com as partes interessadas e a encontrar soluções para os desafios. Desde a recolha de dados e o desenvolvimento de novas ferramentas para lidar melhor com as alterações climáticas e a desflorestação, até ao estabelecimento de melhores relações entre os operadores florestais e a sociedade civil. Ao fazer isto, estou confiante de que o FSC tem as pessoas para desenvolver as soluções necessárias para capacitar e permitir que proprietários e gestores de florestas enfrentem os desafios prementes e as necessidades das florestas na Europa e no mundo.
Além disto, estamos a procurar maneiras de acelerar os desenvolvimentos para que possamos obter soluções para o mercado mais rapidamente, mas ainda com a credibilidade que é parte integrante da posição do FSC como sendo o Sistema de Gestão Florestal Sustentável mais confiável.
O nosso sucesso é sempre um sucesso compartilhado. O FSC só pode continuar a jornada para fazer uma diferença positiva se continuar a enfrentar os desafios económicos, ambientais e sociais em colaboração com governos, sociedade civil e empresas."

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