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Sunday, 28 March 2021
Planetiers! Uma mudança real e duradoura depende de pessoas informadas e capacitadas

Sérgio Ribeiro (© Planetiers)© Planetiers

Sérgio Ribeiro é CEO e Cofundador da Planetiers, um movimento que tem como missão, inspirar e capacitar cidadãos e organizações para tomarem decisões sustentáveis, através de plataformas digitais. Em Outubro passado, e desafiando todas as contrariedades, levou a cabo o “Planetiers World Gathering”, o maior evento online sobre sustentabilidade, onde o FSC Portugal teve a oportunidade de apresentar o seu papel na proteção e restauro dos Serviços dos Ecossistemas.


Planetiers na primeira pessoa!
Sérgio Ribeiro, CEO e Cofundador da Planetiers

Em que consiste o movimento “Planetiers” e qual a sua missão?
A missão da Planetiers é inspirar e capacitar cidadãos e organizações para tomarem decisões realmente sustentáveis. Para isso teremos sempre que produzir várias iniciativas e plataformas. Seja com o grande encontro Planetiers World Gathering, ou com o novo portal online Planetiers.com, que estaremos a lançar este ano nova imagem e estrutura, ou com outras iniciativas que estamos a desenvolver que divulgaremos ainda neste ano de 2021. O importante é que nunca deixemos de seguir a nossa visão em todas as decisões que tomemos: “Qualidade de vida para todos, em todo o lado, agora e para sempre”.

Como poderão movimentos como este, ajudar a dar resposta aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU?
Seriamos muito presunçosos em achar que a Planetiers terá por si só a resposta para se alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. No entanto acreditamos que poderemos ativar cidadãos, empresas e governo para acelerar este processo. Em alguns casos até guiar e ajudar a encontrar o percurso certo para cada um que queira ter impacto relevante nestes ambiciosos (e urgentes) desafios. Temos já alguns exemplos disso com programas que estamos a desenvolver para entidades privadas e públicas que, especialmente nestes tempos que estamos a viver, terão a oportunidade de se reinventar dentro de um mindset de recuperação económica verde e inclusiva.

Apesar de todos os desafios associados ao ano 2020, levaram o cabo a iniciativa “Planetiers World Gathering”, o maior evento online sobre sustentabilidade. Qual era o objectivo máximo deste evento e o que podemos esperar no futuro desta iniciativa?
O maior objectivo desta primeira edição do evento era que o maior número possível de pessoas percebesse que não está sozinho com as suas preocupações relativas à insustentabilidade dos sistemas sociais e económicos que temos hoje em dia, e que é possível fazer a diferença. Que o maior número possível de pessoas vissem que há mais Planetiers!
Os 3 E’s que defendemos são para nós as linhas mestras do que significa ser um Planetier. É alguém que, independentemente do seu papel na sociedade, admite que pode fazer mais e melhor pela sustentabilidade e abraça um caminho de melhoria contínua investindo na sua “Educação” sobre os temas, trabalhe para se “Empoderar” e acreditar que pode ter um papel activo nesta transformação e “Empreenda” tentando procurar incansavelmente soluções para problemas que identifique. Nesse aspecto acreditamos que foi um sucesso o PWG2020 tendo recebido 1000 pessoas por dia na Altice Arena (com todos os cuidados necessários de saúde e segurança) e mais de 20 mil pessoas a participar online a partir de mais de 50 países. Outro objectivo fundamental e conseguido foi a criação de novas parcerias que vão permitir não só o enriquecimento de próximas edições do evento que estamos a desenhar, mas também desenvolver novas iniciativas em cooperação.

O FSC Portugal marcou presença neste evento, dando a conhecer o trabalho desenvolvido em prol da gestão florestal responsável e na protecção e restauro dos Serviços de Ecossistemas. Como é que a missão do FSC se integra na vossa actividade?
A missão do FSC integra totalmente o “porquê” da Planetiers e de toda a sua actividade. Defende uma das áreas absolutamente criticas em prol dos Objectivos para o Desenvolvimento Sustentável. Inclusive muitos especialistas defendem já o modelo de Systemic Value em que a protecção ambiental é o grande pilar que, não sendo trabalhado, não se conseguirá alcançar sustentabilidade social e económica.

A importância da floresta para a sociedade civil é indiscutível, e existe cada vez mais a consciência do seu papel na vida de todos nós. Como é que um movimento como o “Planetiers” tem em consideração estas questões?
Como disse há pouco este modelo de Systemic Value, em oposição ao mais conhecido Shared Value, defende a enorme importância da protecção e regeneração de ecossistemas. E como refere, já é indiscutível o papel das florestas neste equilíbrio. Temos até exemplos práticos a acontecer agora à nossa frente. Há uma correlação comprovada entre as últimas pandemias da nossa história e eventos de desflorestação na sua origem. O que faz total sentido quando vemos espécies obrigadas a se deslocarem do seu habitat natural para as proximidades ou até mesmo dentro das comunidades de pessoas. O mesmo no impacto económico, quando vemos recursos florestais a ficarem escassos e os preços a subir impactando toda a cadeia de valor a jusante. Já para não falar do caminho que estamos a tomar para o total esgotamento de recursos caso a gestão não seja feita de forma sustentável.

No FSC, acreditamos que Organizações que já assumem um compromisso com a sustentabilidade e que contribuem para um consumo mais consciente e responsável, estão mais preparadas para enfrentar desafios como os que vivemos actualmente. No vosso entender, existe já um reconhecimento efectivo dessas Organizações pela Sociedade? Ou o que poderá mais ser feito para haver essa valorização?
Acreditamos que já há uma consciência muito generalizada sim. No entanto vemos ainda um espaço muito grande entre a consciência e a acção efectiva. Para estas mudanças acontecerem nas organizações tem que haver o chamado efeito mobilizador em “sandwich”: é preciso pressão de baixo para cima na estrutura organizacional e é preciso na direcção inversa uma liderança corajosa e decidida em marcar a diferença. A meu ver o problema está mais uma vez na falta dos 3 E’s: Educação, Empoderar e Empreender.
Não saber o que realmente significa a sustentabilidade, não acreditar na capacidade da sua organização liderar esta transformação e por fim, falta de pro-actividade e implementação.

Que outras iniciativas promovem ou desenvolveram no âmbito do “Planetiers”?
Neste momento estamos a desenvolver as próximas edições do Planetiers World Gathering, a preparar um novo portal online Planetiers com toda uma nova experiência para permitir mais pessoas e empresas se tornarem mais “Planetiers”, temos vindo a trabalhar com organizações privadas e entidades públicas a desenhar e executar iniciativas segundo conhecimento avançado em sustentabilidade e por fim temos na mesa projectos ambiciosos de alcance internacional que prometem inspirar e mobilizar milhões de pessoas. Tudo será lançado ou anunciado ao detalhe ainda durante este ano de 2021.


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