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Monday, 18 September 2017
O desafio da certificação florestal é uma necessidade crescente

Ordem dos Engenheiros

O Colégio Florestal da Ordem dos Engenheiros reconhece a importância de uma gestão florestal responsável, apontando-a como o caminho que pode garantir à floresta Portuguesa, o reforço do seu potencial produtivo, o garante do seu valor ambiental e a sua dimensão social.


Qual o papel do Colégio Florestal da Ordem dos Engenheiros na promoção de uma gestão florestal responsável?
O Colégio Florestal da Ordem dos Engenheiros reconhece a importância de uma gestão florestal responsável, pois este é o caminho que pode garantir para a floresta Portuguesa o reforço do seu potencial produtivo, o garante do seu valor ambiental e a sua dimensão social.
Cabe aos engenheiros florestais enquanto classe profissional habilitada e detentora do conhecimento dar resposta às exigências de um processo desta natureza. A base técnica aliada a soluções racionais são indispensáveis para levar adiante este paradigma.
O Colégio de Engenharia Florestal e a Ordem dos Engenheiros (OE) entenderam responder a este desafio e para além de ser associados do FSC, fazem parte dos Corpos Sociais, sendo um dos membros da Comissão de Resolução de Conflitos.


Numa altura em que tanto se fala de uma gestão florestal activa, como analisam a implementação de sistemas de certificação para dar resposta a esta necessidade?
De facto fala-se muito e infelizmente faz-se pouco pela tal gestão activa, que consideramos fundamental e para a qual gostamos de juntar a palavra profissional. No nosso entender faz toda a diferença que a gestão activa seja efetuada por profissionais que garantam a qualidade técnica e assegurem a responsabilidade pelos actos tomados, assim como, a conformidade das soluções técnicas e das disposições regulamentares e legais.
Entendemos a implementação dos sistemas de certificação como o culminar natural do colocar em prática a tal gestão activa e profissional e que sai valorizada pelo reconhecimento de terceiros de que as práticas utilizadas são responsáveis e sustentáveis.


Quais consideram serem as mais-valias da certificação florestal FSC®, no cumprimento dos requisitos para uma gestão responsável?
Trata-se de uma certificação florestal que chamaria de “madura”, com um caminho percorrido que pela sua implantação nacional lhe permite entender a realidade e as especificidades da floresta Portuguesa, e por tanto, crescentemente adaptada aos desafios da mesma.
A sua génese internacional, baseada no movimento global ambiental, e a sua implementação generalizada permitiu criar uma marca forte que é reconhecida enquanto positiva por todos os “stakeholders” do sector florestal internacional.


O sector florestal tem, em Portugal, um peso significativo na balança comercial e um potencial de crescimento face ao contexto nacional. Qual consideram ser o papel da certificação florestal no contributo para esta importância económica, social e ambiental da floresta?
Com fileiras industriais muito fortes (cortiça, pasta e papel e aglomerados) com forte vocação exportadora e de grande relevância para o PIB nacional e na balança comercial nacional, o desafio da certificação florestal é uma necessidade crescente, porquanto os mercados internacionais assim o exigem.
A certificação florestal é fundamental para o desenvolvimento do sector e para a sua sustentabilidade, sendo necessário dar continuidade ao esforço para a sua implementação.
A necessidade de, por motivos concorrenciais, adaptar as produções nacionais a referenciais mais exigentes, tem levado a um incremento da qualidade da gestão florestal. Este aumento da performance é notório em todos componentes, sejam eles os económicos, os ambientais e os sociais.
A gestão florestal sustentável tem introduzido um conjunto significativo de boas práticas que infelizmente estavam arredadas da gestão comum desenvolvida pela maioria dos produtores florestais nacionais e cujo esforço importa reforçar edar continuidade.


Quais consideram que deverão ser as prioridades do sector florestal em Portugal?
Como qualquer actividade económica a prioridade do sector florestal português deverá ser assegurar a sua viabilidade, entendendo aqui a viabilidade económica sob a perspectiva da sustentabilidade, assegurando os rendimentos económicos adequados à sua manutenção, mas diminuindo (ou mitigando) os impactes ambientais da actividadee maximizando os impactes sociais e culturais.
Embora sejam conceitos agora generalizados a qualquer actividade económica, trata-se de conceitos que a ciência florestal tem vindo a defender há quase duzentos anos, através do conceito de ordenamento florestal da “gestão à perpetuidade”, defendido já no séc. XIX pela escola alemã de gestão florestal.


Qual a visão do Colégio Florestal da Ordem dosEngenheiros relativamente à Reforma Florestal, no que concerne às medidas associadas à correcta gestão da nossa floresta? De que forma a certificação florestal pode contribuir para esta reforma?
Temos vindo a defender que a suposta “Reforma Florestal” representa pouco de reforma e mais de continuidade das políticas públicas que têm vindo a ser desenvolvidas nas últimas décadas.
A leitura que a Ordem dos Engenheiros faz do momento histórico que vivemos é que é tempo de reconhecer-se que as políticas têm sido erradas e há necessidade de efectuar uma mudança radical, transformando o que são os principais constrangimentos em oportunidades, que entendemos existirem no sector florestal português.
Para lá de muitos outros componentes entendemos que a gestão florestal sustentável será uma peça chave do edifício estratégico de uma verdadeira reforma florestal. Os seus componentes normativos, que são objecto da actividade normal de qualquer disciplina da engenharia e a aceitação generalizada pelos consumidores, que garante o retorno dos investimentos efectuados na sua implementação, tornam, entre muitos outros, a gestão florestal uma realidade que é fundamental a qualquer cenário de transformação da floresta nacional.


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