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Friday, 19 May 2017
4 PERGUNTAS A...

Tito Rosa

Tito Rosa é o mais recente Presidente da Direcção do FSC®Portugal. Membro da Câmara Ambiental em representação da LPN, é reconhecidopelos seus conhecimentos em Economia Agrária e Sociologia Rural.


Que desafios espera superar neste novo mandato que agora se inicia?
Ser capaz de continuar o bom trabalho que a Associação e as suas anteriores Direções têm feito. Atendendo que as minhas preocupações são importantes em matéria de sustentabilidade ambiental da floresta, ecossistema crítico do Planeta, aprofundar a importância da certificação para garantir um futuro sustentável pela via de uma economia mais responsável e solidária sem perder as suas características de geradora e distribuidora de riqueza.


Quais serão os principais objectivos da nova Direção?
Os objectivos estão identificados no Programa apresentado aos associados o qual, resumidamente assenta em três pilares fundamentais:
- consolidar a aplicação do sistema de certificação sustentável;
- procurar adaptar o sistema ao perfil maioritário da nossa floresta, floresta de minifúndio, garantindo assim uma via indispensável para a consolidação referida;
- dar mais visibilidade ao sistema e seus benefícios através de um incremento de iniciativas de sensibilização e partilha.
É importante ainda procurar que a Associação cresça internamente através de um aumento de associados que possibilite ainda mais contribuir para a coesão e eficácia do sistema.


No curto médio prazo, quais deverão ser as prioridades nacionais para a promoção de uma gestão florestal responsável e consequentemente o aumento da área florestal certificada em Portugal, bem como do número de empresas certificadas em Cadeia de Custódia?
Em termos de políticas de promoção à boa gestão da produção florestal, vista aqui numa perspectiva mais abrangente eecossistémica, mais multifuncional, que a de simples fonte de matéria prima, tem que preferenciar o estímulo, seja nas áreas privadas ou nas área públicas, à utilização dos sistemas de certificação e da boa qualidade destes. Desde logo por causa dos efeitos positivos (económicos e ambientais) internos e externos que tal atitude transporta para a floresta, valorizando-a e protegendo-a mas também modificando o perfil estrutural do sector pelo incremento de mais atitude profissional, de maior rigor, de mais conhecimento, de melhores resultados.
A preferência dos sistemas públicos de incentivos e ajudas ao investimento deve, por exemplo, ser uma atitude a adoptar no contexto das políticas públicas sectoriais. O Estado, não tanto como grande proprietário ou investidor directo (o Estado, como sabemos, é o mais forte investidor indirecto pela via dos apoios públicos, nacionais e comunitários), tem um papel de liderança na alteração de comportamentos pelo que a adopção da certificação das matas e povoamento públicos é inadiável.


Qual o papel do FSC Portugal na sensibilização junto da sociedade civil?
Por vezes temos a sensação que todos os sistemas de promoção de um melhor uso dos recursos naturais ou produzidos têm ainda adesão insuficiente e por vezes até a apatia dos seus destinatários principais. Porém sabemos que o sentido é certo e o caminho é irreversível.
A sociedade, no exercício dos seus direitos e posicionamentos cívicos, ou tão simplesmente no contexto de utilizadora/consumidora de produtos e serviços vai ser mais exigente, mais vigilante.
Os negócios que interagem mais directa e quotidianamente com a sociedade, pela via do consumo, progressivamente irão adoptar nas suas estratégias de venda ou de prestação de serviço a diferenciação tendo como base, digamos assim, a relação positiva com o ambiente e a natureza o que pressionará, de forma benéfica, os operadores a montante.
A certificação assegura essa qualificação e por isso a Associação deve contribuir para um aumento da informação e do conhecimento da sociedade civil para que esta, nas suas atitudes quotidianas assuma, voluntária ou involuntariamente, o papel de um promotor da certificação.


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